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SKEET AMERICANO – UMA MODALIDADE QUASE ESQUECIDA NO BRASIL

  • maio 4, 2026
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Por Marcos Aurélio As origens do Skeet O Skeet surgiu nos Estados Unidos (Andover – Massachusetts), por volta de 1920 como treinamento para tiros de caça (Perdizes e

SKEET AMERICANO – UMA MODALIDADE QUASE ESQUECIDA NO BRASIL

Por Marcos Aurélio

As origens do Skeet

O Skeet surgiu nos Estados Unidos (Andover – Massachusetts), por volta de 1920 como treinamento para tiros de caça (Perdizes e faisões), por William Harnden Foster, a ideia era treinar fora da temporada, ele usou uma máquina lançadora de pratos e criou 12 posições  em volta da saída dos alvos, simulando os vários ângulos de tiro durante a caçada (Shoot around the clock) Só que seu vizinho que era muito próximo, montou uma granja de frangos e os tiros que eram feitos naquela direção estavam assustando as aves e prejudicando o negócio, desta forma, William retirou as posições do lado que se atirava em direção a granja, permanecendo muito próximo às posições usadas atualmente. Depois foi adotado o nome SKEET, palavra de origem escandinava, que significa ‘’ATIRAR”.

 A modalidade foi evoluindo durante os anos, com a retirada de alguns pratos simples e aumentando o número de doublés e também com o aumento da velocidade dos pratos, devido aos altos resultados dos competidores nos Campeonatos Mundiais e Jogos Olímpicos. Desta forma, como o Skeet tem uma execução motora mais complexa do que outras modalidades (O comando para a saída do prato é feito com a arma baixa, a montagem no rosto só pode ocorrer após a saída do prato  e também com um Timer de 0 a 3 segundos para o lançamento) a iniciação ao Skeet se torna mais difícil em países com pouca tradição na modalidade, devido à falta de treinadores com conhecimento técnico.

Da mesma forma que o trap original, conhecido no Brasil como Fossa Olímpica, foi modificado e criou-se o Trap Americano, com vários facilitadores, não só na parte técnica, mas principalmente na montagem do campo de tiro (é necessário apenas uma máquina lançadora e não 15 como na original) o SKEET OLÍMPICO (SKO) também foi alterado para facilitar a quebra dos pratos pelos esportistas. O SKEET AMERICANO (SKA) utiliza um campo de tiro idêntico ao do seu irmão mais velho, com uma casa ALTA e uma casa BAIXA onde ficam as máquinas e oito posições de tiro, com bandeiras limitando as áreas de acerto dos alvos.

Casa alta em uma pedana de Skeet
Casa baixa em uma pedana de Skeet

As diferenças entre o Skeet Olímpico e o Americano

As diferenças entre o Skeet Olímpico e o Americano são as seguintes:

  1. Velocidade do prato – No SKO o prato deve sair das casas, passar por dentro de um aro, colocado a 3,5 metros de altura, em um ponto a 19,2 metros de distância e cair a 68 metros, dando aproximadamente, 85 km/h. No SKA a trajetória é idêntica, só que o prato deve cair a 60 jardas, ou 54,9 metros, dando aproximadamente 75 km/h.
  2. Timer – No SKO existe um timer de 0 a 3 segundos que determina o tempo da saída do prato após o comando de voz do atirador, no SKA este timer não existe, o prato sai imediatamente após o comando.
  3. Altura da arma no momento do comando – No SKO o comando do prato deve ser feito com a arma bem baixa em relação ao rosto, existe uma faixa amarela, padrão da ISSF (International Shooting Sport Federation), costurada no colete de tiro na qual a parte de baixo da coronha deve estar no mínimo na mesma altura do que a parte superior da faixa. No SKA não existe esta obrigatoriedade, o comando pode ser feito com a arma montada no rosto. Eu não recomendo e nem faço a iniciação do Skeet com a arma montada, cabe aí uma explicação: Primeiro por uma questão ideológica; o Skeet nasceu como treinamento para a caça de aves com cães; não seguimos o cão perdigueiro com a arma montada no rosto, ela vai bem embaixo, para que possamos ter uma ampla visão do campo, já que não sabemos de onde a perdiz vai levantar voo. Segundo que quando comandamos o prato com a arma baixa, temos um julgamento bem melhor da trajetória do alvo   e consequentemente do movimento a ser executado com o cano para o sucesso do tiro. Terceiro, é muito mais bonito, o movimento da montagem da arma, do que chamar o prato com a arma na cara, atiradores de Percurso de caça, principalmente da FITASC (The Fédération Internationale de Tir aux Armes Sportives de Chasse) utilizam a SKA como treinamento para estas provas, já que não é permitido comandar o prato com a arma montada. E o quarto ponto é que o tiro ao prato, com a montagem da arma sendo feita após a saída do alvo é muito mais prazeroso.
No Skeet Olímpico, no momento do comando de soltura do prato, a coronha da arma deve estar abaixo da faixa amarela presa no coleto do atleta, enquanto que no Skeet Americano, não existe esta obrigação.
  1. Tipos de pratos em cada posição – as séries das duas modalidades são bem distintas:
PostosSKOSKA
1Alta/DoublêAlta/Baixa/Doublê
2Alta/DoublêAlta/Baixa/Doublê
3Alta/DoublêAlta/Baixa
4Alta/baixaAlta/Baixa
5Baixa/DoublêAlta/Baixa
6Baixa/DoublêAlta/Baixa/Doublê
7DoublêAlta/Baixa/Doublê
42 DoublêsXXXX
8Alta/BaixaAlta/Baixa

Percebam que as séries tem número de pratos diferentes até então, 25 pratos no Olímpico e 24 pratos no Americano, acontece que caso o atirador erre um prato no SKA, deve ser marcado zero, e ele repete aquele prato, e o resultado da repetição deve ser marcado no prato 25, caso ele quebre os 24 pratos da série, ele escolhe qual prato quer atirar, e o resultado deste tiro é marcado no prato 25.

4. Casos de pratos que saem quebrados e quebra dos dois pratos do doublê no primeiro tiro – No Caso do segundo prato do doublê sair quebrado no SKO, repete-se o tiro independente do resultado do primeiro, no SKA o resultado do primeiro prato é válido. No SKO caso o atirador quebre os dois pratos no primeiro tiro, não vale nada e o doublê é repetido, no SKA repete-se o doublê e o primeiro prato é bom. Nos doublês que se quebra o segundo prato no primeiro tiro, a decisão é a mesma nas duas modalidades: repete o doublê e o primeiro prato é zero.

5. Munição – No SKA permitido o uso de cartuchos com até 32 g de chumbo, diferente do SKO que permite apenas cartuchos com 24 g de chumbo.

Skeet Americano no Brasil

Como dissemos no título desta artigo, o SKA é uma modalidade quase esquecida no Brasil, após algumas pesquisas, só conseguimos descobrir três clubes em Minas Gerais que já utilizaram esta modalidade; O Clube Mineiro de caçadores em Santa Luzia, o Clube Sul Mineiro em Pouso Alegre e o Clube de Tiro de Pará de Minas, onde tive o prazer de ministrar uma clínica básica de SKA, pela FMGTE (Federação Mineira de Tiro Esportivo – filiada a CBTE). A FMCT (Federação Mineira de Caça e Tiro) adotou o SKA e a partir de 2015 e organizava o Campeonato Mineiro da modalidade, sendo que a partir de 2023, o certame deixou de existir por falta de competidores e em 2025 a federação incluiu a modalidade na Copa Minas. No Clube Mineiro de caçadores, a modalidade existe desde 2007 com o Campeonato Social que é disputado entre os sócios do clube. Para fazermos uma comparação da tradição e desenvolvimento do Tiro Esportivo nos EUA ( Criador do SKA) e no Brasil, seguem alguns números: O Shootgun National Championship, na modalidade Skeet Americano, aconteceu na cidade de Hillsdale, Michigan nos calibres, 12 gauge, 20 gauge, 28 gauge e 410. Entre os dias 21 e 25 de maio e participaram aproximadamente, 300 atiradores. Já o TrapAmericano tem uma das maiores provas de tiro ao prato do mundo, é o Grand American World Trapshooting Championship, organizado pela Amateur Trapshooting Association, acontece anualmente em Sparta Illinois, e reúne cerca de 4.500 atiradores, sendo disparados aproximadamente 4 milhões de tiros, possivelmente, mais do que se dispara no Brasil em um ano nos pratos.

 Atualmente, o Trap Americano foi adotado pela CBTE, tradicionalmente, detentora das modalidades olímpicas, pela Liga Nacional de tiro ao prato, e também pela FMCT, com o claro objetivo de agregar mais atiradores às suas entidades. Dito isto, cabem algumas questões: Porque a CBTE, uma das entidades de maior relevância no nosso esporte, não apoia o Skeet Americano? A modalidade não seria uma ponte para o Skeet Olímpico? Na minha humilde opinião: Penso que a CBTE, com toda a sua influência e penetração nos clubes de tiro do Brasil, deveria fomentar o SKA como forma de conhecimento da modalidade “SKEET” e consequentemente, conseguindo mais atletas para o SKO no futuro. Seria o SKA uma ponte para a modalidade olímpica e mais importante? Penso que sim, pois a decisão de frequentar um clube de tiro para se divertir, como uma simples terapia, para estar junto com os amigos, ou para isto tudo e também para competir no alto nível no seu país, atirar junto com os melhores e ter a oportunidade de representar o Brasil em uma prova internacional, é individual de tem a ver com a índole da pessoa e com sua personalidade. Na América do Sul, estamos muito atrás dos nossos vizinhos como o Peru, Argentina, Chile, que inclusive tem uma medalha do ouro olímpica em 2024 no Skeet feminino, conquistada pela atiradora Francisca Crovetto, e também da Colômbia, quando se fala em Skeet Olímpico. 

  Sabe-se que a qualidade esportiva de um país, se mede, dividindo-se a população pelo número de medalhas olímpicas, independentemente de ser ouro, prata ou bronze, ou seja: quantos milhões de habitantes são necessários para se conquistar uma medalha? o que está por trás deste cálculo? Simples: são as oportunidades que são dadas à população de conhecer, praticar e desenvolver algum esporte ou seja: INVESTIMENTO; Os países em desenvolvimento como o próprio Brasil, não tem recursos para isto, nem mesmo uma política esportiva definida, aqui o esporte vive de algumas iniciativas individuais, de patrocínio para as  modalidades mais conhecidas, como o Voleibol e o Basquete e alguns benefícios como o Bolsa Atleta, que atende esportistas já consagrados e pela lei de incentivo ao Esporte, cuja dificuldade é a de conseguir captar recursos em empresas que aceitem investir em esportes menos conhecidos. Voltando para o Skeet Americano, as entidades do tiro, como as federações e confederações tem um ótima oportunidade de desenvolver esta modalidade, porque estará investindo seus esforços numa população já específica, que já pratica “tiro”, já tem os documentos necessários e já frequentam os clubes. 

 Os dois “Skeets” estão agonizando no Brasil, o Olímpico só não morre, por ter este status, e o Americano pela nossa teimosia, precisamos massificar os praticantes de Skeet, as iniciativas individuais não serão o bastante para isso, o Skeet Americano pode ser o caminho,  precisamos do apoio de uma entidade forte como a CBTE, (Confederação Brasileira de Tiro Esportivo) já provamos que o brasileiro pode atirar bem o Skeet, temos resultados expressivos de vários atletas, (prefiro não citar nomes para não ser injusto com alguns) e estes resultados foram obtidos sem um avançado conhecimento das técnicas atuais, falo isso com autoridade de quem acompanhou de perto o crescimento técnico da modalidade e novamente isto aconteceu por iniciativa individual, os técnicos das equipes brasileiras, ou não davam o devido valor ou não tinham mesmo nada a mais para oferecer na parte técnica da modalidade. O Skeet é a modalidade de tiro ao prato mais bonita de se ver e a mais prazerosa de se atirar, convido a todos para experimentarem, mas procurem antes algum instrutor que possa orienta-lo para que passa aproveitar cada prato, forte abraço a todos.

O autor:

Marco Aurélio é graduado em Educação Física (UFMG 1989), pós-graduado (Latu Sensu – UCMG 1995). Como atleta de atirador esportivo desde 1995 foi Bi Campeão Sul Americano de Tiro Ao Voo (CBCT 2004/2015), Tri Campeão Brasileiro de Tiro ao Voo CBCT (2001, 2008 e 2011). Possui 16 de Campeonatos Mineiros nas modalidades Skeet Olímpico, Skeet Americano, Tiro às Hélices, e Compak Sporting. Foi medalha de Bronze pela Equipe Brasileira no Campeonato Sul Americano de Skeet Olímpico em Lima/Peru. ( CBTE 2016). É instrutor de armamento e tiro – Clube Tiro Rápido (2026)

Marco Aurélio Pacheco Moraers

“As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor e não refletem necessariamente a posição da Revista Pedana.”