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A Liga Nacional de Tiro ao Prato e as Divas do Tiro

  • agosto 29, 2026
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Fonte: Grupo de Whatsapp das Divas do Tiro. Ano 2019. Em pé: da esquerda para a direita Maria Beatriz Mônaco (SP), Rosemarie Dalle Mulle (RS), Rafaela Simão (SC),

A Liga Nacional de Tiro ao Prato e as Divas do Tiro

Fonte: Grupo de Whatsapp das Divas do Tiro. Ano 2019. Em pé: da esquerda para a direita Maria Beatriz Mônaco (SP), Rosemarie Dalle Mulle (RS), Rafaela Simão (SC), Luciana Denti (RS), Paula Scagnatta (SC), Paula Marchi, Rose de Marchi (MT). Sentadas:  Aline Souto (AL), Rose Back (TO), Cláudia Vieira (SP), Aline Couto (SP), Idalisa Maso (RS).

Por Ana Marceli Souza e Luiz Eduardo Dias

Em matéria recentemente publicada pela Revista Pedana foi ressaltada a relevância da criação da Área da Mulher na Confederação Brasileira de Tiro Esportivo, em 2025, como um importante instrumento de valorização do tiro esportivo olímpico feminino. Agora, o foco volta-se para a Liga Nacional de Tiro ao Prato (LNTP), sediada na cidade de Guarapuava/PR, e para um grupo de relevante destaque: as Divas do Tiro. 

A LIGA NACIONAL DE TIRO AO PRATO (LNTP)

    A Liga Nacional de Tiro ao Prato – LNTP foi fundada em 29 de novembro de 2011, sendo, em 2012, reconhecida pela Amateur Trapshooting Association (ATA) como representante exclusiva da disciplina Trap Americano no Brasil. A sua fundação contou, inicialmente, com o apoio de clubes das regiões Sul, Sudeste, Norte e Nordeste:

    • Clube de Caça e Tiro de Guarapuava (Guarapuava/PR);
    • Transal Associação Esportiva (Pedras Grandes/SC);
    • Clube Americanense de Caça e Tiro Esportivo (Americana/SP);
    • Jl Clube Olímpico de Trap & Skeet & Sporting Clays (Eusébio/CE);
    • Clube de Tiro, Caça e Pesca de Araguaína (Araguaína/TO);
    • Clube Alagoano de Tiro Olímpico (Maceió/AL);
    • Clube Campista de Tiro Esportivo (Campos Dos Goytacazes/RJ).

    Atualmente a LNTP possui mais de 200 clubes filiados de 24 estados brasileiros mais o DF.  Na sua estrutura administrativa a presença feminina é evidenciada por Fernanda Polzin[1], que encontra-se à frente da gestão executiva, operacional e de governança como Diretora Executiva da entidade. Seu protagonismo tem impactado positivamente a participação feminina em todas as esferas que o tiro esportivo contempla, principalmente ao consolidar a liderança das mulheres em espaços de decisão e inspirar uma nova era de representatividade no tiro esportivo.

    Fernanda Polzin
    Fernanda Polzin. Diretora Executiva da LNTP
         Fonte: https://www.tirobrasil.com.br/quadrienio-2023-2026/

    Sob seu comando, a Liga Solidária foi integrada a todas as etapas presenciais da temporada de 2026. Trata-se de um projeto cujas ações beneficiam instituições de caridade em todo o país. Em cada etapa do Campeonato Brasileiro os atletas podem optar pela inscrição em uma disputa cujos valores arrecadados são revertidos para uma instituição beneficente escolhida pela direção do clube sede da etapa, como APAEs e instituições de tratamento de câncer, entre outras.

    Fernanda Polzin recorda que o esporte vai além da conquista do pódio; por isso, desde 2016, o enfoque das ações de solidariedade da LNTP tem sido ampliar o seu impacto positivo na vida das pessoas, já que “cada participação representa uma contribuição concreta para transformar histórias, levar esperança e promover dignidade”.

    No que refere-se à prática do Trap Americano, de acordo com as informações repassadas pela LNTP, 232 damas já foram filiadas, sendo que atualmente 101 encontram-se em atividade. Nesse universo, resgatou-se que a primeira atleta filiada foi Rita de Cácia Trincaus (Guarapuava/PR), por ocasião do início das competições em 2012. Em seguida, outras damas se filiaram, entre elas destacam-se Maria Beatriz Schmidt Mônaco, Cristiane Maria Bertolin Polli, Ana Lucia Massaro Odebrecht Tossin, Isabela Buch Lustosa e Laís Cristine Werner.

    Aos longo dos anos várias atletas se destacaram com ótimos resultados em competições nacionais e internacionais de Trap Americano. Recentemente, durante o Grand American Trapshooting Championship 2026, realizado em Sparta – EUA, as seguintes damas conquistaram seus lugares no pódio:

    CampeonatoAtletaColocação
    Winchester Super 500 SinglesAline Q. Couto3º lugar, Class B
    Winchester Super 500 SinglesFernanda de L. L. Rotili1º lugar, Class D
    Winchester AA Class SingleFernanda de L. L. Rotili1º lugar, Lady I
    Evento 10 NRA SinglesPatrícia G.  T de Oliveira1º lugar, Lady I
    Evento 9 SOS Clay DoublesCelina A. S. Siquieroli3º lugar, Lady I
    Evento 4 MEC Outdoors SinglesFernanda de L. L. Rotili2º lugar, Lady I
    Evento 1 Fiocchi Singles 100Aline Q. Couto3º lugar, Lady I
    Fireside RV Super 500 HandicapJuliane A. R. M. Rassi3º lugar, Lady I

    Fonte: https://www.tirobrasil.com.br/noticias/3/

    Vale destacar, ainda, que Aline Q. Couto participou da equipe brasileira que disputou a importante competição Wendel August Champion of Champions, que reúne diferentes equipes estrangeiras e americanas. Naquela oportunidade, Aline conquistou o escore de 99/100.

     Divas do Tiro: mulheres que inspiram outras mulheres no tiro ao prato

    No livro Damas do Tiro Esportivo Brasileiro, publicado no mês de julhode 2026, é comentado que heroínas na História do Brasil precisaram usar disfarces de homens para ter acesso às armas, a exemplo de Maria Quitéria de Jesus[2] que, por volta do ano de 1822, serviu ao exército sob a alcunha de Soldado Medeiros. Uma vez descoberta a verdade sobre a sua identidade, a jovem foi mantida no contingente devido à sua extrema habilidade com armas de fogo.

    Ainda que, ao longo de séculos, as mulheres tenham precisado pegar em armas para defender a si e a suas famílias, principalmente em períodos de ausências de seus cônjuges, elas também as utilizaram para atividades esportivas. Acerca dessa iniciativa, torna-se importante lembrar as teutos-brasileiras do Rio Grande do Sul que, em 1900, fundaram as suas próprias sociedades de atiradoras[3] para poderem competir.

    Relembrar esses fatos visam reforçar que, por anos, a presença feminina no tiro esportivo precisou ser conquistada. Esse processo permitiu derrubar o antigo estereótipo de que o manejo de armas de fogo seria capacidade exclusiva dos homens e de que as mulheres não podiam participar de competições.  Atualmente, elas competem e ganham campeonatos nacionais e internacionais.

    No tiro ao prato, as damas assumiram o protagonismo de criarem para si um ambiente no qual podem interagir e compartilhar experiências, conquistas, dificuldades, apoio e orientações em relação ao esporte.

    Em 2017, já com um número de participantes bastante consolidado e com o apoio de Giovani Macedo Suriz, Paulo Soares Júnior (in memoriam) e Roberth Luciano de O. Vieira, foi criado o grupo denominado Divas do Tiro, com foco no acolhimento e na promoção de uma maior integração entre as atletas de diversas regiões do Brasil.

    Divas do tiro
    Divas do Tiro. Foto: Acervo pessoal de Emanuela Lacerda. Ano 2017. Divas do Tiro presentes na foto, em pé, da direita para a esquerda:  Jana Melo, Paôla Brezolin, Gliciane Magna C. Maia, Madalena Pirani, Aline Couto, Marielen Madeira Costa, Ana Paula Rochiti, Maria Júlia Edling, Rose Dalle Mulle, Ana Paula da Di Domizio, Milene Lobo, Emanuele Lacerda, Luciana Denti, Nádia Cadore, Suely Costa, Carla Piellusch e Any Passos. Agachado: Giovani Suriz.

    O ato foi oficializado no Playoff de Trap Americano, em Ponta Grossa/PR. A iniciativa englobou as competidoras da Liga Nacional de Tiro ao Prato (LNTP) e também da Confederação Brasileira de Tiro Esportivo (CBTE), uma vez que as finais eram realizadas em conjunto por ambas as entidades. Essa cooperação foi fruto decorrente de parceria firmada no dia 08 de abril de 2014, cuja administração ficou a cargo da LNTP até 09 de novembro de 2019, data em que o referido convênio foi encerrado.

    Atualmente, as Divas do Tiro agregam 90 mulheres de todo o Brasil que praticam o tiro ao prato (Trap Americano, Trap Nacional, Fossa Olímpica e Skeet). Segundo a atleta Aline Q. Couto, o pertencimento e a sororidade são os pilares do Divas do Tiro:

    O grupo Divas do tiro representa sororidade, na qual, além de atletas, somos torcedoras e apoiadoras das demais atiradoras. A relevância vai além de divulgar o tiro feminino, trata-se de fazer parte, estar presente na pedana, e conquistar um lugar no esporte tiro após tiro.

      Sua existência fortalece a sinergia institucional, seja por meio de uma maior liderança feminina em cargos de gestão, seja pela união das atletas em construir um ambiente capaz de entender e acolher as suas necessidades. Consolida-se, assim, a certeza de que o tiro esportivo assegura um espaço decisivo para a presença duradoura das mulheres no esporte.

    Ana Marceli e Divas do Tiro
    Fonte: acervo pessoal de Ana Marceli Souza.

    Assim, de Norte a Sul do país, o alvo mais importante já foi alcançado pelo Divas do Tiro: conectar e inspirar mulheres que se apaixonaram pelo tiro ao prato, consolidando o pódio definitivo da liderança e da representatividade feminina na história da modalidade.

    Divas do Tiro
    Divas do Tiro: conectar e inspirar mulheres que se apaixonaram pelo tiro ao prato, consolidando o pódio definitivo da liderança e da representatividade feminina na história da modalidade. Foto: acervo pessoal de Aline Couto.
    Giovani Suriz
    Giovani Suriz (Diretor de Clubes da LNTP): As Divas do Tiro representam a conquista do poder da participação feminina no esporte do tiro

    Homenagem ao Paulinho

    Paulo Soares Júnior, que foi um dos responsáveis pela criação das Divas do Tiro, nos deixou no último dia 08 de julho de 2026. Excelente atirador e grande incentivador do tiro esportivo possuía grande carisma e sempre estava pronto a ajudar a que o recorria. Seu falecimento deixa um grande vazio na família do tiro ao prato.

    Em relação ao falecimento do Paulo Soares Júnior, Luciana Denti nos relatou: a ideia do grupo era incentivar mais mulheres a ingressarem em nosso esporte. Para isso, tivemos o apoio de Roberth, Paulinho e Giovani. Criamos o projeto com muito carinho para ser um ponto de encontro, apoio e incentivo mútuo; um lugar para trocar ideias, compartilhar experiências, celebrar conquistas e fortalecer umas às outras em cada prova.

    Paulinho, além de compadre, foi um amigo de verdade que esteve comigo dividindo a pedana no meu maior score (100/100).

    Sua ausência deixa um vazio imenso em nossos corações. Agradeço a Deus por cada momento compartilhado, pelos conselhos e pelas risadas.

    Querido amigo, a sua luz continuará guiando a todos nós que tivemos o privilégio de conviver com você. As provas não serão as mesmas sem você na secretaria, mas ficam as boas memórias.

    Paulo Soares Jr.

    REFERÊNCIAS:

    ASSMANN, Alice Beatriz, MAZO, Janice Zarpellon. As sociedades de damas atiradoras: pelos caminhos da prática do tiro ao alvo em Santa Cruz do Sul, Rio Grande do Sul. 2013. Disponível em:https://www.scielo.br/j/refuem/a/h8vvhrxykrNW4dxTFywf7yG/?format=html&lang=pthttps://doi.org/10.4025/reveducfis.v24.4.20528. Acesso em: 30 mar. 2026.

    CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE TIRO ESPORTIVO. CBTE e Liga Nacional de Tiro ao Prato acertam convênio. Rio de Janeiro: CBTE, 11 abr. 2014. Disponível em: https://www.cbte.org.br/cbte-e-liga-nacional-de-tiro-ao-prato-acertam-convenio/. Acesso em: 23 ago. 2026.

    _________________. Liga Nacional de Tiro ao Prato notifica CBTE sobre a não continuidade de convênio. Rio de Janeiro: CBTE, 11 dez. 2019. Disponível em: cbte.org.br. Acesso em: 24 ago. 2026.

    HENRIQUE, Guilherme. Quem foi Maria Quitéria, mulher que se vestiu de homem para lutar na Independência do Brasil. BBC News Brasil, São Paulo, 22 jan. 2022. Disponível em: bbc.com. Acesso em: 16 abr. 2026.

    LIGA NACIONAL DE TIRO AO PRATO. Quadriênio 2023-2026. [S. l.]: LNTP, [2023]. Disponível em: https://www.tirobrasil.com.br/quadrienio-2023-2026/. Acesso em: 25 ago. 2026.


    Ferramentas de inteligência artificial foram utilizadas exclusivamente para revisão textual, correções gramaticais e aprimoramento da clareza da escrita, não tendo sido empregadas na concepção, desenvolvimento metodológico ou elaboração intelectual deste trabalho.

    [1] Informações revisadas por Fernanda Polzin, Diretora Executiva da Liga Nacional de Tiro ao Prato.

    [2 https://www.bbc.com/portuguese/brasil-59953275. Acesso em: 16 abr. 2026.

    [3]ASSMANN, Alice Beatriz, MAZO, Janice Zarpellon. As sociedades de damas atiradoras: pelos caminhos da prática do tiro ao alvo em Santa Cruz do Sul, Rio Grande do Sul. 2013. Disponível em: https://www.scielo.br/j/refuem/a/h8vvhrxykrNW4dxTFywf7yG/?format=html&lang=pthttps://doi.org/10.4025/reveducfis.v24.4.20528. Acesso em: 30 mar. 2026.


    Divas do Tiro - Ana Marceli