Uma final em tempos difíceis

Caxias do Sul – Campeonato Nacional do Trap Americano

Na concorrida e disputada final de 2020 do Campeonato Nacional de Tiro ao Prato da CBTE, que aconteceu no Clube Caxiense de Caça e Tiro, importantes competidores comentaram sobre o bom ambiente do clube e das provas, analisaram a evolução do Trap Americano, além de discorrerem sobre os planos de cada um deles em relação ao esporte.

Caxias do Sul, na Serra Gaúcha, sediou a Final do Campeonato de Tiro ao Prato 2020 – Trap Nacional, que aconteceu entre os dias 18 e 21 de Novembro no tradicional Clube Caxiense de Caça e Tiro.

Promovida e organizada pela Confederação Brasileira de Tiro Esportivo (CBTE), a final do Trap Nacional reuniu 400 competidores vindos de praticamente todas as regiões brasileiras. As provas foram disputadas de acordo com as normas e regulamentos da ATA (Amateur Trapshooting Association) e do Regulamento Geral de Tiro ao Prato – Trap Nacional – CBTE.

O belo Clube Caxiense, adornado por 300 mil metros quadrados de paradisíaca área verde, registrou grande movimentação de atletas nas seis pedanas disponibilizadas para as competições. Os competidores consideraram (em opinião majoritária) que as provas das três disciplinas — Trap 100, Trap 200 e Trap Double — seguiram em um ótimo nível de qualidade, sempre muito competitivas em todas as classes e categorias.

Ambiente familiar

Todavia, o que chamou mais atenção em um evento grandioso como a final de um campeonato nacional — quando não deixa de prevalecer entre os atiradores a concentração e o desejo de ser competitivo — foi a alta qualidade da convivência entre todos que marcaram presença no Clube Caxiense. Em um ambiente familiar, prevaleciam a cordialidade, a educação e o convívio agradável entre os competidores.

As categorias e as classes dos inscritos para a final ratificaram que houve espaço para todos os competidores, com destaque para os jovens, as damas e os veteranos, além dos casais que atiraram juntos.

Foi o caso de Daniel e Jucelma Reuter, de Chapadão do Sul (MS). Há cinco anos no tiro, eles participaram em Caxias do Sul pela primeira vez como competidores. Antes, porém, em busca  de um maior aprimoramento no esporte, fizeram clínicas com o consagrado instrutor Roberto Schmidt. Daniel, de imediato, aproveitou para destacar “o excelente ambiente do campeonato, com a reunião das famílias, quando você observa adolescentes, esposas e maridos atirando juntos”. Jucelma concorda com o marido: “o clima familiar torna tudo muito agradável e de ótima convivência” entre todos. “Melhor ainda é os amigos que fazemos durante as provas”.

Na hora de atirar, Daniel garante que não há disputas entre casal, “até porque são categorias diferentes”, mas que nada impede que a “esposa queira atirar melhor do que o marido”. Jucelma aproveita para lembrar uma questão importante para ela: “na hora de atirar, a concentração é fundamental, inclusive porque qualidade do tiro depende muito do seu estado psicológico no momento. Se você não está bem, nada dará certo”. Daniel complementa lembrando que “depois que você aprende  atirar, é a cabeça que funciona. Para atirar a pessoa tem que deixar o dia-a-dia de fora da pedana e se concentrar, senão a chance de dar errado é enorme”. 

O casal também faz questão de salientar a qualidade da “higiene mental” que o tiro proporciona, “uma atividade de lazer incomparável”, segundo Jucelma.

Junto ao casal Reuter, estavam os amigos Renato e Estela Birling, também de Chapadão do Sul. O interessante é que foi o casal Birling que incentivou Daniel a entrar no tiro ao prato. Ele, por sua vez, animou a esposa. Agora, ocorreu o inverso: os Reuter incentivaram os amigos para viajarem a Caxias. Renato, que atira há seis anos, reconhece que a presença na final do campeonato nacional serviu de “grande incentivo” para seguir no tiro: “é uma questão de unir o útil ao agradável, pois trata-se de uma excelente forma de lazer e nós ainda fazemos novos amigos”.

O Trap Americano em expansão

Outro participante que fez questão de salientar a importância do clima familiar no esporte, foi o competidor Saulo Sanches Sales, de Porto Alegre. “O pessoal é muito unido, todos se ajudam, é uma grande família”. Competindo há dois anos, ele informa que seguirá no circuito neste ano de 2021, pois a qualidade dos campeonatos como a final no Caça e Tiro, serve de grande incentivo: “é muito tranquilo, não existem registros de acidentes, tudo é bem organizado, todos os protocolos são seguidos; portanto, tudo isso é muito bom para o desenvolvimento do esporte”.

“Construí grandes amizades no tiro, conheci pessoas esplêndidas que fazem parte dessa família do esporte; eu realmente me encontrei nesse meio por causa das pessoas”, afirmou o competidor Robson Fernando Herbert, de 34 anos, de Cascavel (PR). O fato de a final nacional em Caxias do Sul reunir 400 competidores é, na opinião de Robson, uma prova clara da “franca expansão do Trap Americano em todo território nacional”. Ele, que é assíduo nas provas do circuito, garante que há “uma adesão muito grande” de novos atiradores em todos os estados do país. “A cada circuito aumenta mais o número de competidores”, diz Robson. “Hoje temos um público muito variado, os campeonatos são divididos em classes, que começam desde as classes júnior, passando por damas, para-atletas, seniores (AAA, AA, A, B, C e D), e máster até categorias veteranos”.

Apaixonado pelo esporte, o competidor conta que “partir do momento em que eu comecei a atirar, o Trap Americano foi amor à primeira vista”. Essa identificação com o esporte foi tão intensa “que gerou um negócio, a representação dos óculos da marca Pilla”, acrescenta ele.

Geração jovem

Já a competidora Maria Carolina Becker, de apenas 18 anos, de Cachoeira do Sul (RS), além de elogiar o clima agradável durante as provas, chama atenção para o fato de que ainda é difícil atrair para o Trap Americano jovens da idade dela, “pois é um esporte caro, que exige muita burocracia”. No entanto, ela — que está há um ano no tiro — destaca a presença das mulheres: estou gostando de ver a ampliação da presença feminina”. Maria Carolina aproveita para fazer uma sugestão muito interessante: “O Trap Americano poderia ser beneficiado por políticas de patrocínios voltadas para  viabilizar mais apresentações e campeonatos, exclusivamente para atrair os mais jovens”.

Outro jovem competidor, Matheus Bertolozzo, 22 anos, de Luís Eduardo Magalhães (BA), é mais um a destacar o “maravilhoso ambiente do tiro, onde tenho amigos de todas as idades, um pessoal diferenciado com quem posso trocar experiências e isso é o melhor de tudo”. Desde os 10 anos de idade, Matheus frequentava o clube de tiro quando acompanhava o pai e o tio, os precursores do Trap na cidade em que nasceu. “Um ano depois”, conta ele, “entrei com autorização judicial e comecei a praticar. De lá pra cá, viajamos juntos, toda a família reunida; somos compostos de seis atletas e vamos em todas as provas.

De um hobby, o tiro virou quase que uma profissão”. Pela presença constante nos campeonatos, o jovem atirador baiano anota que o esporte vive uma “grande expansão” e cita como exemplo o elevado número de competidores na final do campeonato nacional. Para Matheus, o Trap Americano “se transforma em um esporte grande, pois nós procuramos incentivar a atração de novos praticantes, sobretudo os jovens, pois é uma atividade esportiva maravilhosa, além de muito segura”, argumenta. “Os jovens passam por psicotécnicos, treinamentos em clínicas e o tiro é muito fiscalizado. Isso também traz muita credibilidade”, encerra.

Eduardo Mossmann de Araújo Filho, 23 anos, portanto da mesma geração, concorda sobre os rumos, sempre positivos, relacionados à evolução do Trap Americano. “O esporte é excelente, saudável e as pessoas do meio são fantásticas. Há um crescimento visível tanto na bala quanto no prato, muito em função dos praticantes, um público sensacional. Isso colabora para a chegada de mais competidores. Todos se dão bem. Não há aquela rivalidade desgastante entre as categorias, o pessoal atira junto. Os meus concorrentes me dão dicas assim como eu faço com eles”, discursa, empolgado. “Por isso que a gente está sempre se esforçando para trazer o máximo de participantes para o esporte assim como para atrair novos expectadores”.

Eduardo começou a sua trajetória em 2017 no clube de Nova Prata (RS), sua cidade natal. O grande talento dele logo despontou. Naquele mesmo ano, conquistou  o título de campeão gaúcho na categoria Master B e o brasileiro da liga nacional também na categoria Master B. “E assim sigo evoluindo. Em 2019, fui medalha de bronze no gaúcho AA, e esse ano estou na triple AAA — tanto no gaúcho quanto no nacional”.

Após registrar uma atuação brilhante no Caça e Tiro, Eduardo já traçou os seus próximos objetivos: “para o futuro espero chegar em um patamar de ser campeão da AAA, tanto estadual quanto nacional. E tenho uma ideia de ir para a fossa olímpica, em uma seleção brasileira, e ainda a de representar o Brasil em uma Olimpíada”.

Ambiente diferenciado

Rodrigo Machado, 46 anos, de Itumbiara (GO), é mais um competidor que destaca o crescimento do esporte, “também em função de um ambiente diferenciado pela presença de pessoas de todas as áreas profissionais”. “Eu acredito que o tiro é um dos esportes que mais crescem no país, principalmente o Trap Americano, diz ele.” Todavia, o goiano anota que os altos preços das armas e dos insumos impedem uma maior expansão do esporte. “É preciso reduzir custos para crescer, e a receita talvez seja acirrar a concorrência”, sugere. Outra importante questão não passou despercebida por Rodrigo: “A sociedade também precisa ser melhor informada sobre a natureza do tiro. Embora se use armas, isso aqui é um esporte da mais alta qualidade”.

Outra importante competidora que esteve na final do campeonato nacional foi a médica gaúcha Anahida Guerreiro Rosa, de Vacaria. Campeã da Top 10 Feminina do campeonato brasileiro de 2018, quando sagrou-se vice-campeã, ela conta que nos anos passados participou, na companhia do marido, de todas os campeonatos, tanto os da Liga Nacional quanto os da CBTE. No atípico ano de 2020, ela só participou das provas em Caxias do Sul. A competidora elogiou “o ambiente maravilhoso, de gentileza, de cortesia e muito familiar que nos anima a participar das provas com muita satisfação”. Anahida elogiou a presença de mais de 45 mulheres competindo no Caça e Tiro, “o que representa ainda mais estímulo e reconhecimento à presença feminina”.

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