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XIII Jogos Sul-Americanos: quatro medalhas na Fossa Olímpica e um novo passo no ciclo olímpico 2024-2028.

  • setembro 20, 2026
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Por Luiz Eduardo Dias. Imagens gentilmente cedidas por Carlos Aberto Luiz da Costa, membro da equipe CBTE em Santa Fé. Geórgia Furquim conquista a prata e Camilla Cosmoski

XIII Jogos Sul-Americanos: quatro medalhas na Fossa Olímpica e um novo passo no ciclo olímpico 2024-2028.

Por Luiz Eduardo Dias.

Imagens gentilmente cedidas por Carlos Aberto Luiz da Costa, membro da equipe CBTE em Santa Fé.


Geórgia Furquim conquista a prata e Camilla Cosmoski o bronze na Fossa Olímpica feminina. As duplas mistas Camila Cosmoski e Leonardo Lustoza (dupla 1) e Geórgia Furquim e Jaison Santin (dupla 2) conquistarem as medalhas de ouro e bronze, respectivamente. Mais do que medalhas, os XIII Jogos Sul-Americanos ODESUR 2026, realizados na Argentina, marcaram para o tiro esportivo brasileiro o início de uma etapa importante do ciclo que conduz aos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.

A Fossa Olímpica nos XIII Jogos Sul-Americanos

Na Fossa Olímpica, o Brasil encerrou sua participação nos XIII Jogos Sul-Americanos com duas medalhas no feminino. Geórgia Furquim conquistou a medalha de prata, enquanto Camilla Cosmoski ficou com a de bronze. No masculino, Jaison terminou na sexta colocação, depois de avançar à final com 109/125. Leonardo Lustoza terminou a fase classificatória em nono, com 102.

Duas brasileiras no pódio dos XIII Jogos Sul-Americanos

Na Fossa Olímpica feminina, Geórgia Furquim confirmou uma posição de destaque ao terminar a classificação com 86/125, avançando para a decisão na segunda colocação. Camilla Cosmoski também chegou à final, com 80/125, ocupando a quinta posição na classificação. Ambas classificadas para a fase final, que teve a peruana Almudena Boza com 23 acertos e ficou com o ouro. Geórgia marcou 22 e conquistou a prata, enquanto Camilla somou 16 e garantiu o bronze.

O resultado de Geórgia tem ainda uma particularidade. A atleta disputou também o Skeet nos Jogos de Santa Fé, mostrando a versatilidade de uma atiradora atuando nas duas disciplinas olímpicas do tiro ao prato. A participação em diferentes provas, entretanto, exige planejamento específico, já que Fossa Olímpica e Skeet possuem características técnicas, visuais e estratégicas bastante distintas.

Para Camilla, o bronze representa a continuidade de uma trajetória que já vinha apresentando resultados expressivos no cenário nacional e continental. Considerando somente este ano, Camila na terceira etapa do Campeonato Brasileiro igualou o índice Mundo (113/125) e na sexta etapa superou (116/125) este índice.

Jaison Santin chega à final masculina

Entre os homens, Jaison Santin foi o brasileiro mais bem colocado. O atleta terminou a classificação com 109/125, resultado que lhe garantiu presença entre os oito finalistas. Leonardo Lustoza, com 102/125, terminou em nono e não avançou à decisão. Na final Jaison terminou na sexta posição.

O ouro ficou com o peruano Alessandro de Souza, com 25 acertos, seguido pelo compatriota Asier Cilloniz, com 23. O argentino Joaquín Cisneros completou o pódio, com 19.

As duplas mistas nos XIII Jogos Sul-Americanos

No último dia de disputas do tiro ao prato, as duplas mistas fecharam a participação brasileira nos XIII Jogos Sul-Americanos com chave de ouro, ao conquistarem o primeiro e o terceiro lugares com Camila e Leonardo (Dupla 1) e Geórgia e Jaison (Dupla 2), respectivamente. Esta conquista reforça a presença brasileira no cenário Sul-Americano.

Camila e Leonardo formaram a dupla mista vencedora e Geórgia e Jaison a dupla que conquistou a medalha de bronze. Imagem: divulgação CBTE.

O Skeet nos XIII Jogos Sul-Americanos

No Skeet a equipe brasileira contou com Geórgia Furquim e Rodrigo Simões. Geórgia, por não estar participando de provas da modalidade de Skeet, fez uma boa participação terminando na quarta posição. Rodrigo Simões terminou a fase de classificação na sexta posição (114/125), estaria na fase final, porém não pode participar por razões que, até o momento da publicação deste artigo, são oficialmente desconhecidas. Sobre este fato, Rodrigo comentou em seu Instagram: “Circunstâncias fora de minha alçada me impediram de disputar a final por medalhas”.

Santa Fé e Assunção: o que mudou em quatro anos?

A comparação com os Jogos Sul-Americanos de Assunção 2022 é inevitável, especialmente porque alguns dos principais personagens continuam presentes no cenário continental.

Na Fossa Olímpica masculina, os peruanos Alessandro de Souza e Asier Cilloniz protagonizaram a decisão de 2022. Asier conquistou o ouro, enquanto Alessandro ficou com a prata. Em Santa Fé, quatro anos depois, os dois voltaram a ocupar as primeiras posições, desta vez com Alessandro levando o ouro e Cilloniz a prata.

A comparação com os Jogos Sul-Americanos de Assunção 2022 é particularmente interessante porque permite observar a continuidade da participação brasileira na Fossa Olímpica, mas também evidencia mudanças na composição da equipe. Em Assunção, a delegação brasileira contou com Jaison Santin, Hussein Daruich e Priscila Macêdo na Fossa Olímpica. Priscila conquistou a medalha de prata na prova feminina. Quatro anos depois, em Santa Fé, o Brasil voltou ao pódio feminino, desta vez com Geórgia Furquim, medalha de prata, e Camilla Cosmoski, medalha de bronze. No masculino, Jaison Santin novamente chegou à decisão, terminando em sexto lugar em 2026. A presença de Jaison nas duas edições reflete uma carreira sólida com boa participação no ranking brasileiro.

No Skeet, em 2022 a equipe brasileira contou com a participação de Geórgia Furquim (medalha de bronze) e Roberth Vieira, que terminou na quinta posição. Para coroar a participação brasileira no Skeet daqueles Jogos, ambos formaram a dupla mista que conquistou a medalha de bronze.

Para o Brasil, a presença de Geórgia, Camilla e Jaison entre os finalistas individuais e a conquista de Leonardo, como campeão ao lado de Camila nas duplas mistas, mostra que o país continua inserido na disputa pelas primeiras posições continentais. O próximo passo, porém, é transformar essa presença em consistência de desempenho ao longo de um ciclo olímpico, cada vez mais exigente.

Geórgia Furquim e Camila Cosmoski nos Jogos Sul-Americanos de 2026
Geórgia e Camila, medalhista nos XII Jogos Sul-Americanos de 2026. Imagem: divulgação CBTE.

Mais do que uma competição: XIII Jogos Sul-Americanos dentro do caminho olímpico

Os Jogos Sul-Americanos não devem ser observados de forma isolada.

Para o tiro esportivo brasileiro, Santa Fé integra um planejamento mais amplo da Confederação Brasileira de Tiro Esportivo – CBTE para o tiro ao prato olímpico no ciclo 2026–2028.

O planejamento técnico da CBTE relaciona como estratégica as competições que oferecem vagas que se enquadram no caminho por vagas para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. Veja quais são estas competições:

CompetiçãoLocalAnoVagas
Jogos Sul-americanosSanta Fé – Argentina2026Uma (01) vaga para os Jogos Panamericanos
Campeonato Mundial da ISSFDoha – Qatar2026Uma (01) vaga para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.
Campeonato das Américas (CAT I)Lima – Peru2026Elevada quantidade de vagas para os Jogos Panamericanos e uma (01) vaga para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028;
Jogos PanamericanosLima – Peru2026Duas (02) vagas por disciplina para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.
Campeonato Mundial da ISSFDaegu – Coréia do Sul2027Uma (01) vaga para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.
Campeonato Mundial da ISSFSedes2027-2028Três (03) vagas para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.  
Campeonato das Américas (CAT II)A definir2028Uma (01) vaga para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.
Fonte: Planejamento Técnico Tiro ao Prato 2026 – CBTE.

O que Santa Fé deixa para o Brasil?

A participação brasileira na Fossa Olímpica em Santa Fé deixa um quadro que merece ser observado com atenção, mas sem conclusões precipitadas.

No feminino, duas atletas brasileiras terminaram no pódio. Geórgia Furquim voltou a demonstrar competitividade em uma competição continental, enquanto Camilla Cosmoski confirmou sua presença entre as principais atletas da prova.

No masculino, Jaison Santin apresentou uma classificação de 109/125 e chegou à final, embora não tenha conseguido obter um bom desempenho na disputa pelas medalhas. Leonardo Lustoza terminou em nono, com um resultado aquém de seu padrão de tiro, o que indica um pequeno desvio – normal no tiro ao prato -. Para quem acompanha sua carreira, sabe que o atleta, apesar da pouca idade, possui elevada resiliência e um talento natural que o manterá nas primeiras posições do ranking brasileiro por muitos anos.

Mais importante do que estabelecer comparações simplistas entre edições é perceber a continuidade de alguns nomes e a renovação de outros. Alessandro de Souza e Asier Cilloniz continuam entre os protagonistas sul-americanos. Do lado brasileiro, Geórgia, Camilla e Jaison aparecem como nomes importantes neste início de ciclo. Não podemos deixar de lado o fato de que a CBTE convocou alguns atletas para o Programa de Preparação para o Campeonato das Américas (Cat I) e Campeonato Mundial ISSF 2026, que oferecem vagas para as Olimpíadas de 2028. Os atletas convocados foram:

Fossa Olímpica Masculina: Hussein Daurich, Leonardo Lustoza e Marcos Balbinot;

Fossa Olímpica Feminina: Camilla Alexandra Cosmoski e Georgia Furquim Bastos;

Skeet Masculino: Rodrigo Maringoni Simões, Roberth Lucianno de Oliveira Vieira e Renato Araújo Portela (convidado especial da CBTE).

Além dos nomes acima citados, existem outros atletas que frequentam os pódios de etapas do Campeonato Brasileiro e que possuem potencial para estarem defendendo a bandeira brasileira em competições internacionais. O caminho é longo até os próximos jogos olímpicos, potencial humano nos temos, os atletas sabem honrar a bandeira nacional, cabe a CBTE e ao COB continuar – porque não dizer aumentar – a prover condições materiais, financeiras e logísticas para que nossos atletas possam materializar seus potenciais nos Jogos Olímpicos de Los Angeles de 2028.

O ciclo até Los Angeles 2028 está apenas começando. Entre Santa Fé e a Olimpíada ocorrerão Campeonatos das Américas, Mundiais, Copas do Mundo, Jogos Pan-Americanos e outras oportunidades de classificação. A construção de uma equipe olímpica passa, portanto, por uma sequência de resultados, avaliações e decisões técnicas.

Santa Fé deixa quatro medalhas na Fossa Olímpica, uma final masculina e, principalmente, mais uma referência para avaliar o estágio do tiro ao prato brasileiro diante dos desafios que ainda estão por vir.

BALANÇO DO TIRO ESPORTIVO BRASILEIRO

A equipe brasileira contou com 12 atletas, distribuídos entre Pistola, Carabina, Fossa Olímpica e Skeet. A participação brasileira no Tiro Esportivo nos Jogos Sul-Americanos ODESUR Santa Fé 2026 terminou com 11 medalhas: uma de ouro, cinco de prata e cinco de bronze. O resultado demonstra a presença do Brasil em diferentes disciplinas da modalidade, com pódios na Pistola, na Carabina e no Tiro ao Prato.

A campanha começou com duas medalhas de prata nas provas mistas de 10 metros: Felipe Wu e Tatiana Diniz, na Pistola de Ar, e Geovana Meyer e Eduardo Sampaio, na Carabina de Ar. Na sequência, Felipe Wu conquistou o bronze na Pistola de Ar masculina, enquanto Geovana Meyer voltou ao pódio com a prata na Carabina de Ar feminina.

No Tiro ao Prato, Geórgia Furquim conquistou a prata e Camilla Cosmoski o bronze na Fossa Olímpica feminina. No mesmo sábado, Geovana Meyer obteve sua terceira medalha de prata, desta vez na Carabina Três Posições feminina, e Felipe Wu acrescentou outro bronze, no Tiro Rápido masculino. Ao final do sábado, a CBTE registrava oito pódios brasileiros.

O domingo ampliou esse balanço. Marina Mendonça conquistou a medalha de bronze na Pistola 25 m feminina, enquanto a Carabina Três Posições masculina não acrescentou outro pódio brasileiro — Eduardo Sampaio terminou como o melhor brasileiro, na sétima colocação.

O encerramento veio novamente no Tiro ao Prato. Na Fossa Olímpica Mista, o Brasil colocou duas duplas no pódio: Geórgia Furquim e Jaison Santin conquistaram a medalha de ouro, enquanto Camilla Cosmoski e Leonardo Lustoza ficaram com o bronze.

Assim, o quadro final brasileiro ficou:

MedalhaAtletas / prova
🥇 OuroGeórgia Furquim / Jaison Santin — Fossa Olímpica Mista
🥈 PrataFelipe Wu / Tatiana Diniz — Pistola de Ar Mista
🥈 PrataGeovana Meyer / Eduardo Sampaio — Carabina de Ar Mista
🥈 PrataGeovana Meyer — Carabina de Ar
🥈 PrataGeórgia Furquim — Fossa Olímpica
🥈 PrataGeovana Meyer — Carabina 3 Posições
🥉 BronzeFelipe Wu — Pistola de Ar
🥉 BronzeFelipe Wu — Tiro Rápido
🥉 BronzeCamilla Cosmoski — Fossa Olímpica
🥉 BronzeMarina Mendonça — Pistola 25 m
🥉 BronzeCamilla Cosmoski / Leonardo Lustoza — Fossa Olímpica Mista

Total: 11 medalhas — 1 ouro, 5 pratas e 5 bronzes.

O desempenho também chama atenção pela distribuição dos pódios. O Brasil esteve representado no quadro de medalhas em Pistola, Carabina e Tiro ao Prato, e a Fossa Olímpica foi particularmente relevante no encerramento da competição, com três medalhas brasileiras — uma de ouro e duas de bronze — entre as provas individuais e a disputa mista.

Jogos Sul-Americanos
Yane Marques, vice-presidente do Comitê Olímpico do Brasil-COB, e Jodson G. Edington Jr., presidente da Confederação Brasileira de Tiro Esportivo-CBTE, ao lados dos medalhistas brasileiros da Fossa Olímpica nos XII Jogos Sul-Americanos de 2026, em Santa Fé – Argentina. Imagem: divulgação CBTE.